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Economia e Religião: Dilemas e possibilidades

*Padre Gladstone Elias de Souza

*Padre Gladstone Elias de Souza

Quem desejar, ao mesmo tempo, ser cristão católico praticante e empresário saberá que dentro da lógica capitalista acabará cedo ou tarde, por enfrentar sérios dilemas éticos e morais.

Isso porque o processo de acumulação capitalista provoca graves problemas sociais e ecológicos que acabam por exigir (como uma religião sacrifical) o extermínio de vidas humanas em nome das leis de mercado.

Aparentemente, o que temos aí é uma verdadeira encruzilhada: Ou se desiste da crítica profética diante dos graves problemas sociais ou se abandona o referencial capitalista o que causaria grandes impactos (inclusive financeiro), na condução da empresa.

Fato é que boas intenções não são suficientes para solucionar os problemas sociais e que o capitalismo causa ou aprofunda. Alguns destes problemas poderiam ser apresentados ao modo de questões: como podemos construir relações econômicas que considerem a situação das camadas mais pobres da sociedade? Como criar condições para um comércio ético no sentido de garantir a produção sustentável dos bens para satisfazer a necessidade de todos e da terra?

É preciso encorajar estudos e pesquisas sobre o modo de vida e trabalho dos dirigentes de empresa. Sobretudo, como vivem e o que pensam os empresários cristãos? Além de enfrentar conflitos emocionais de ordem familiar muitas vezes agravados pela condição de trabalho (Workaholic), muitos profissionais se queixam da pressão por resultados.

Esses temas parecem estar entre as causas de depressão e estresse do empresariado, pois esses são assuntos recorrentes em conversas informais. Do ponto de vista da “Doutrina Social da Igreja” muito pode ser implementado. É nesse sentido que a ADCE (Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa), está incentivando a criação dos GRV´s (Grupos de Reflexão e Vivência), através do Programa Empresa com Valores.

Merece destaque este “Projeto de Responsabilidade Social Empresarial e Pensamento Social Cristão”, que une a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação e a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, à Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa – ADCE Brasil, em torno da disseminação e aplicação de conceitos e práticas empresariais e sociais, que tornem o ambiente empresarial mais ético,  justo e humano.

Quem se interessar pelo assunto poderá encontrar outras informações pelo site: www.adcemg.org.br.

As paróquias podem oferecer espaço para as essas reflexões, criando GRV´s. Seja o diretor de uma multinacional, um proprietário de um pequeno comércio ou um profissional liberal, todos acabam por enfrentar dilemas éticos que lhe parecem paradoxais: lucro X caridade. Ou, como ser cristão num ambiente de competição?

Enfim, não há dúvida que é possível conciliar os valores cristãos com uma adequada gestão empresarial, que as empresas podem até mesmo obter melhores resultados  em produtividade e lucratividade seguindo a orientações da Doutrina Social da Igreja, pois ao investir no nível de satisfação dos funcionários por meio de uma relação de trabalho estabelecida sobre os pilares da dignidade, da justiça e da compreensão todos sairão beneficiados.

O que desejamos é que os valores cristãos passem a compor a cultura das empresas, tornando-as mais confiáveis no mercado, atraindo, assim, clientes e parceiros. A credibilidade, especialmente hoje,  pode ser o grande diferencial que uma empresa tem a apresentar.

*Assistente Eclesiástico da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa de Minas Gerais. (ADCE/MG). Pároco da Paróquia Santo Antônio, em BH.

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