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Assistimos ao tumulto das opiniões sobre o problema da reorganização da sociedade, em face dos imperativos de uma justiça social que os homens, esquecidos de Deus, não souberam realizar.

 Pretendemos retomar caminhos que restabeleçam, entre os povos, uma comunidade integrada no verdadeiro espírito cristão. Damos início a uma revolução de consciências sem a qual não subsistirá a livre empresa entrar na luta ao apelo de deveres.

 O mundo ocidental organizado, economicamente, à base de liberalismo dominante a partir do século passado, defronta-se com a ameaça comunista que visa à coletivização da propriedade. Liberais e comunistas pertencem a escolas que padecem do mesmo vício radical e insanável – são escolas materialistas que cortaram as próprias raízes espirituais cristãs. Nem a liberdade ilimitada dos liberais é justa, nem o totalitarismo dos comunistas é livre. Nós constituímos uma força autônoma que se propõe organizar o mundo de acordo com a Doutrina Social da Igreja, coerente e eterna, onde a justiça floresce na liberdade como duas faces da mesma verdade.

 A “Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa” que dá, neste momento os seus primeiros passos, é assim, um movimento temporal de empresários de inspiração cristã, destinado a fomentar a consciência do seu dever de estado e de promover a melhor contribuição empresarial a bem comum econômico. Devemos produzir com justiça, para satisfação de autênticas necessidades, fazendo da empresa uma comunidade humana de trabalho.

 Não estamos sós. Pertencemos à “União Internacional de Associações Patronais Cristãs” (UNIAPAC), nascida na Europa, de onde se irradiou por quase todo o mundo. Sabemos o que queremos, porque dispomos de um corpo de doutrina cristalizado em Documentos Pontifícios que culminaram com a recentíssima “Mater et Magistra”. Não se trata de uma utopia venerável, mas sim de uma alternativa, não só viável, como necessária ao entendimento entre os povos, como os reconhecem inclusive economistas e sociólogos alheios à Igreja.

 Dirigentes de Empresa de todo o Brasil, mais do que um apelo este é chamado para a ação. A nossa união é indispensável se quisermos, realmente, cumprir o dever de cooperar para o desenvolvimento econômico do nosso País, na coesão social de uma autêntica comunidade.

 São Paulo, 17 de agosto de 1961. 

Alain Moreau, Alfredo Horta,Eduardo Campos Salles, Ernesto George Diederichsen, Elias Corrêa de Camargo, Gilberto Vergueiro da Silva, Haroldo Falcão, João Ribeiro, José Ulpiano de Almeida Prado, Luiz Arrobas Martins, Murillo Macêdo, Newton Cavalieri, Paulo Egidio Martins, Paulo Nogueira Neto, Paulo Mello Gonçalves, Romeu Trussardi Filho, Ronaldo Lopes da Silveira, Waldir de Affonseca.

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